Como se Prevenir de Arquitetos incompetentes

Atualizado: 14 de Mai de 2018

Com tantas opções de profissionais no mercado, é bom tomar cuidado com os incompetentes, que prometem um bom projeto e no final só pegam o seu dinheiro, contratam algum desenhista para desenvolver os desenhos do seu projeto, e como resultado ele vem cheio de falhas, problemas, defeitos, falta de informações ou informações inconsistentes. Para se prevenir, preste atenção neste artigo...


Não se descabele. Aprenda a evitar profissionais incompetentes.

O Desafio de Contratar um Arquiteto


Contratar um arquiteto ainda assusta muita gente. "Arquiteto cobra caro", "Será que vale apena?", "Eu tenho que pagar se eu não gostar?". As pessoas tem uma dificuldade imensa em enxergar o trabalho e as soluções por trás dos "desenhos". Elas não percebem o universo de disciplinas e áreas que englobam a Arquitetura e o traballho que o arquiteto desenvolve por trás de cada pequeno projeto (senta, que a lista é longa)...

  1. Desenho à mão livre

  2. Conceitualização

  3. Geometria

  4. Desenho técnico

  5. Norma de representação de Desenho Técnico

  6. Acessibilidade

  7. Iluminação

  8. Aeração

  9. Proteção e Combate à Incêndios

  10. Dimensionamento de escadas

  11. Conforto ambiental

  12. Conforto acústico

  13. Preservação Ambiental

  14. Estética

  15. Literatura

  16. Plástica

  17. História da Arquitetura

  18. História da Arte

  19. História do Urbanismo

  20. Paisagismo

  21. Estruturas

  22. Instalações prediais

  23. Materiais de Construção

  24. Materiais de Acabamento

  25. Ergonomia

  26. Sustentabilidade

  27. Economia

  28. Dimensionamento Interno

  29. Entorno

  30. Condicionantes físicos

  31. Meteorologia

  32. Volumetria

  33. Psicologia

  34. Marketing

  35. Maquete física

  36. Maquete virtual

  37. Fotografia

  38. Identidade Visual

  39. Preservação do Patrimônio Histórico

  40. Normas em geral (Código de Edificações, Normas de Condomínio, Norma de Acessibilidade, Segurança, Iluminação, Vigilância Sanitária, Normas Urbanísticas, Normas de Gabarito, Normas de Uso e Ocupação do Solo, Normas de Segurança, Normas de Desempenho, Normas de Ergonomia, Normas Trabalhistas, Normas Ambientais etc)

  41. Detalhamento da Edificação

  42. Detalhes executivos

  43. Quantificação

  44. Documentação para Aprovação de Projetos

  45. Documentação para a Execução de Projetos

  46. Memoriais Descritivos

  47. Tecnologia da Informação

  48. Gestão e Coordenação de Projetos e Obras

  49. Compatibilização

  50. Implantação

  51. Topografia

  52. Manutenção

  53. Levantamentos

  54. Estudos de Viabilidade

Enfim, provavelmente a maioria das pessoas achavam que o trabalho do arquiteto se resumia, basicamente, nos items 1, 3, 4... Estas foram apenas as que eu lembrei de citar, provavelmente deve haver mais disciplinas.


Por não enxergar esse volume de trabalho por trás dos projetos, e por imaginar que o trabalho do arquiteto se resume em desenhar, as pessoas não enxergam o valor e a complexidade do ofício deste profissional. E essas pessoas pagam caro por isso.


Pois, por não conhecer, de fato, quais são as atribuições de um (bom) profissional, elas acabam contratando profissionais incompetentes, que fazem apenas os itens 1, 3 e 4, e não fazem a mínima idéia do que são os itens 41 e 42, por exemplo (o 54 a maioria nunca nem ouviu falar). O resultado é um projeto incompleto, com baixíssima qualidade técnica (não vou nem mencionar a qualidade estética...), cheio de problemas, com soluções inexequíveis (a maioria dos arquitetos não sabem detalhar seus projetos e tampouco explicar como as soluções propostas serão executadas), faltando informações etc.


E por que um projeto ruim custa caro? Vamos valar sobre isso no item a seguir.


A relação entre os custos e desperdícios em uma obra


Para falar sobre os prejuízos que profissionais incompetentes causam no projeto, precisamos falar sobre os custos e desperdícios em uma obra. Existem vários estudos e levantamentos que atestam sobre os fatores de desperdício e as causas de problemas nas obras (que geram esses desperdícios).


Prestem muita atenção em uma coisa: toda vez em que você ouvir "problemas e desperdícios" em uma obra, significa "dinheiro indo pelo ralo".

Em uma obra padrão, esta seria uma estimativa bem aproximada do quanto se gasta em cada etapa de uma obra. É claro que alguns itens estão desatualizados, a estrutura, por exemplo, custa, aproximadamente, uns 20 a 25% do orçamento total, as fundações, a depender do tipo de estrutura ou solo, pode custar mais do que esses 9%, os acabamentos custam quase metade do orçamento da obra, e o projeto e burocracia custam entre 10 a 15%.


Ainda há outras informações que não constam neste gráfico, como as impermeabilizações, esquadrias, entulho, seguro e administração da obra.


Olhando esta estimativa global, vocês percebem que, há pelo menos 10 (dez) itens que estão sujeitos a problemas na obra. Se levarmos em consideração que, há 10% de chance desses problemas acontecerem na obra, se monetizarmos esses 10%, significa que, se você separou R$200.000 para investir na sua obra, pode esperar que uns R$20.000 você vai gastar corrigindo problemas e refazendo serviços na sua obra.


Agora eu te pergunto: E se você tivesse investido esses R$20.000 em um bom arquiteto e um bom engenheiro? Além de não perder seu investimento, você ainda teria um resultado ainda mais bonito na sua obra, valorizaria muito mais o seu imóvel, e você ainda ficaria muito mais satisfeito e feliz com o resultado (que é o que realmente importa no final: você ficar feliz).


Imagina agora a tristeza de alguém que, achando que estava "se dando bem", contratou um profissional mais barato, que ao invés de cobrar R$10.000 no projeto cobrou R$5.000, mas esse cliente acabou gastando R$20.000 para corrigir os problemas da obra dele? Ou seja: economizou R$5.000, mas gastou R$25.000 no total!


A Curva de Custo e Execução da Obra


Este gráfico acima é a Curva de Custo e Execução de uma obra. Onde temos os seguintes referenciais:

  • Nível de Definição do Projeto, que atesta a qualidade técnica dele

  • Custo Total Acumulado, que diz respeito sobre o quanto se gasta em cada etapa

  • Tempo de Execução Estimado, que é o prazo de execução de cada etapa do processo, desde o projeto à conclusão da obra

Observem uma coisa na linha verde: Quanto mais se investe no projeto (custo inicial investido), mais definido fica o projeto (maior qualidade técnica), no início, a obra demora mais para sair pois um bom projeto leva um certo tempo até ser finalizado (prazo) mas, ao iniciar a execução, por não apresentar problemas durante a obra, a obra não sofre com interrupções e paralizações, e também não há gastos com correção de problemas, conseguindo ser finalizada em um prazo menor e sem desperdícios de recursos.

"A obra não sofre com interrupções e paralizações, conseguindo ser finalizada em um prazo menor e sem desperdícios de recursos"

Por outro lado, a linha vermelha apresenta uma situação trágica, mas muito comum na vida dos brasileiros: Não há investimento (ou há pouco investimento) na fase de definição do projeto, e o proprietário do imóvel acaba iniciando a obra imediatamente (o que dá a falsa impressão de que a obra está andando). Entretanto, com a quantidade de problemas que surgem, a obra sofre contratempos, até ser paralizada. E, para corrigir os problemas, um determinado valor é gasto, aumentando o custo total da obra. E, a demora em corrigir os problemas e refazer os serviços acaba prejudicando o prazo da obra. Muitas obras acabam ficando paralizada por tempo indeterminado, muitas pessoas não conseguem retomar a obra, seja por questões financeiras ou por insatisfação.

Infelizmente, estima-se que quase 42% do orçamento de uma obra sem projetos (ou com projetos defeituosos) é desperdiçado na correção de problemas na obra"

Este gráfico mostra que, 58% das falhas na construção civil são causados por problemas na concepção dos projetos.

Todas essas falhas querem dizer: Olha onde você vai gastar mais dinheiro!


A Arma secreta do Cliente: A Informação


Bem, agora que esclarecemos bem esta questão do custo, do desperdício e, principalmente, das atribuições de um Arquiteto, chegou a hora da verdade: Como se prevenir de profissionais incompetentes? A resposta é uma só: Informe-se!


Não estamos dizendo que você deve fazer um curso de arquitetura para saber mais do que um Arquiteto. O que queremos é que você conheça o escopo de um projeto, aprenda sobre as etapas e sobre o processo de um projeto de Arquitetura ou de Civil. Saiba o que deve ser desenvolvido em cada etapa, saiba quais informações devem constar em cada documento, em cada desenho, em cada prancha.


É claro que não vamos descrever detalhadamente cada um desses itens aqui. Vamos apenas citá-los brevemente, por isso sugerimos que você baixe o nosso e-book sobre o Controle de Qualidade para Clientes de Projetos de Arquitetura.


Vamos citar agora, brevemente, quais são as etapas e o escopo de um projeto de arquitetura padrão:


ETAPA 1 - ESTUDO PRELIMINAR (EP)

O Estudo Preliminar (EP) é a fase mais importante do Projeto. Ele constiste basicamente no levantamento de dados, medidas e normas, que possam formar ou inviabilizar o Partido Arquitetônico. Ele contém as seguintes etapas:

  • Levantamento Cadastral

  • Análise das Normas

  • Programa de Necessidades

  • Estimativa de Custos

  • Análise da Viabilidade

  • Proposta volumétrica

  • Partido Arquitetônico

  • Adequação

ETAPA 2 - ANTE PROJETO (AP) OU PROJETO-LEGAL (PL)

Após a aprovação do Estudo Preliminar, e da adequação do projeto às expectativas do cliente, é preparado um documento para dar entrada na aprovação da Prefeitura, Administração, Condomínio ou outros órgãos fiscalizadores. Este documento não é indicado para a construção, pois ele ainda é muito incompleto e ainda pode sofrer alterações. Ele contém as seguintes etapas:

  • Solução Preliminar da Implantação

  • Solução Preliminar dos Pavimentos

  • Solução Preliminar dos Cortes

  • Solução Preliminar das Fachadas

  • Especificação Preliminar dos Acabamentos

  • Memorial Descritivo

  • RRT

  • Cumprimento de exigências

ETAPA 3 - PROJETO BÁSICO (PB)

Após aprovado o projeto nos órgaos competentes, inicia-se a fase de documentação para a obra. O Projeto Básico contém informações básicas sobre as soluções do projeto, necessárias para o início da obra, tal como detalhes construtivos básicos, e outras informações necessárias aos engenheiros que irão desenvolver o projeto de civil (estrutura, instalações elétricas e hidrossanitárias, drenagem, fundação, mecânica etc):

  • Solução Definitiva da Implantação

  • Solução Definitiva da Cobertura

  • Solução Definitiva dos Pavimentos

  • Solução Definitiva dos Cortes

  • Solução Definitiva das Fachadas

  • Detalhes Construtivos Básicos

  • Pontuação Elétrica

  • Pontuação Hidrossanitária

  • Quadro de Esquadrias

  • Detalhamento de Escadas e Rampas

ETAPA 4 - PROJETO EXECUTIVO (PE)

Esta é a fase que conclui a Documentação para a Obra ou Execução, é a etapa que mais gera pranchas

  • Compatibilização dos Projetos Complementares

  • Solução de Execução dos Pisos

  • Solução de Execução dos Forros

  • Solução de Luminotecnia

  • Solução de Execução dos Acabamentos

  • Detalhamento das Áreas Molhadas

  • Detalhamento de Marmoraria

  • Detalhamento de Marcenaria

  • Detalhamento das Esquadrias

  • Detalhamento das Vidraçarias

  • Detalhamento da Serralheria

  • Especificação Definitiva dos Acabamentos

  • Quantificação dos Acabamentos

  • Detalhamento da Cobertura e Impermeabilização

ETAPA 5 - PLANEJAMENTO

Concluído o Projeto de Arquitetura e os Complementares, após as correções e alterações necessárias a serem feitas para garantir a exequibilidade do projeto, a documentação é enviada a um engenheiro ou orçamentista para que ele faça a quantificação de todos os projetos e possa levantar a quantidade de serviços, materiais, mão-de-obra, acabamentos etc, enfim, de tudo o que for necessário para garantir a execução e finalização da obra. Ele também fará um cronograma físico-financeiro, listando os prazos estimados para a conclusão de cada etapa.

  • Levantamento dos materiais e serviços

  • Orçamentos

  • Planilha de Orçamento Completa

  • Cronograma

Conclusão

Para quem acreditava que o trabalho do Arquiteto resume-se apenas em "desenhar e fazer croquis", espero que este Artigo tenha sido muito esclarecedor.


Não desanime e nem desista do seu sonho de fazer uma reforma ou construir uma casa nova, mas mantenha em mente que não existe milagre na construção civil. É um serviço caro, é desgastante, mil coisas podem dar errado e pode inviabilizar a sua obra e te decepcionar. Quanto mais informado e preparado você estiver, mais chances você tem de sua obra ocorrer sem interrupções e sem desperdício de recursos ($).


Tenha a assessoria e o acompanhamento de profissionais competentes e preparados para desenvolver o seu projeto e administrar a sua obra. Valorize os anos em que você passou juntando cada centavo para investir na sua obra. E lembre-se: Nada que custe a sua paz vale a pena!


Dúvidas ou sugestões? Quer mandar um alô? Escreva para contato@iezdesign.com

70 visualizações

© 2018 by Urban Artist.

Adaptação by IEZ.